domingo, 10 de março de 2013

Resenhas para o Trevo de Leituras da AEILIJ

Participei de três trevos nos últimos meses:

Março/2013
Cristina Villaça lê A menina que esqueceu que era gente, de Eduardo Loureiro Jr...
... que lê Meu amigo virtual, de Socorro Miranda...
... que lê Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu!, de Cristina Villaça.

Setembro/2012
Cristina Villaça lê Chuvesia, de Marion Cruz...
... que lê A poesia e o sonho, de Eduardo Loureiro Jr...
... que lê Gato mia, de Cristina Villaça.

Maio/2012
Leo Cunha lê Festa do Calendário, de Alexandre de Castro Gomes...
... que lê Família Alegria, de Cristina Villaça...
... que lê Num mundo perfeito, de Leo Cunha.

***

Resenha de Socorro Miranda
Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu!

Uma delícia de livro! Na tuba do Tito tinha um tatu e ele assim tagarelou:
- TEM UM TATU DENTRO DA TUBA!
O BICHO LEVOU UM SUSTO TREMENDO
E TENTOU FUGIR CORRENDO.
Usando rimas, aliterações e palavras com versos cheios de musicalidade, Cristina brinca com seu leitor ao mostrar a história de um tatu que adora música, sai da toca e entra na tuba, causando estripulias. Lembra a música TEM GATO NA TUBA, de Braguinha, que é homenageado nesta história e me faz recordar a infância, tal qual a autora, quando ouvia histórias, contadas e cantadas, da coleção “Disquinho” de compactos vinis coloridos.

Já adulta, ninava meus filhos ao som das músicas compostas, também por Braguinha (Lamartine Babo e Alberto Ribeiro): PASTORINHAS, CAPELINHA DE MELÃO, TEM GATO NA TUBA, entre outras. Ler este livro me trouxe doces recordações.

As lindas ilustrações de Graça Lima nos fazem entrar na história, ouvir as músicas tocadas pela banda e querer sair dançando na praça.

Um livro interativo que, ao final, convida o leitor a participar de várias possibilidades de jogar com as palavras. Quer participar? Abra o livro, venha nos acompanhar e cantar:
VIVA EU,
VIVA TU,
VIVA O RABO DO TATU!


Resenha de Eduardo Loureiro Jr.
Final não, miau sim

Este é um livro para quem gosta de gatos. E também para quem não gosta, que é o meu caso. Porque o que não gosto nos gatos são seus pelos, e um livro sobre gatos não tem pelos, no máximo tem ácaros, mas isso é outra história, e eu não estou aqui para falar de alergia, e sim de alegria.

Essa é a sensação que se tem ao ler o livro de Cristina, divertidamente ilustrado pelo Fernando: a de que um gato está fazendo cócegas na gente com seus bigodes pontudos. E não é um gato só, mas um balaio deles: gato tigre, gato gatuno, gato preto, gato poeta, gato sapeca... além do Gato Guto, que é o personagem principal: um gato gaiato na goteira gostando do gosto das gotas de chuva.

Cristina nos vai conduzindo assim, por meio de aliterações, da repetição dos sons de gês e tês, e também de emes, afinal gato mia, não mia? A prosa de Cristina, ora rimada, ora livre - assim mesmo feito o aconchego e o sumiço dos gatos -, encanta da mesma forma, tanto pela beleza quanto pela surpresa.

Depois de se divertir, o Gato Guto volta para seu lugar, no meio da gataria. Mas o livro só tem MIAU, não tem FINAL, e, numa página quase toda em branco, o Fernando desenhou os outros gatos, doidinhos - vê-se pelos olhos esbugalhados - para se tornarem também personagens principais. De novos livros da Cristina? Do Fernando? Do leitor? Quem quiser que se junte à gataria. Eu já estou me coçando: não de pelos, nem de ácaros, mas de vontade de também dar vida aos meus próprios gatos.


Resenha de Alexandre de Castro Gomes
Leitura com alegria

Quando li Família Alegria pela primeira vez, eu estava sozinho. A segunda foi com as crianças, na hora de dormir. A terceira veio agora, pouco antes de resenhá-lo. Em todas as três leituras ficou evidente a sonoridade das palavras.

A coruja faz seu ninho no oco do toco. O tucano mora em um ninho também. 
Casa de tatu é toca. Casa de onça também...


Cristina Villaça compõe enquanto escreve. O leitor é embalado pela história e pelo ritmo envolvente do texto. Em meio à viagem literária, a autora nos surpreende com perguntas de cunho social.

Juca vive na rua. Por que o Juca não tem uma casa também?

O livro pode ser dividido em três partes. A primeira apresenta a família do título. A segunda descreve lares de pessoas e bichos diferentes, com ênfase na variedade e no contraste das habitações. Na terceira, Cristina volta à casa da família Alegria e nos conta uma passagem animada que aconteceu em um dia de visitas. Todas as partes casam-se perfeitamente como se dedilhadas no braço de um violão. (refrão - solo - refrão)

As ilustrações de Carla Irusta agregam valor ao texto, tornando o livro irresistível de abrir. As cores bem escolhidas e os detalhes figurativos chamam atenção. A página com os quadros pendurados na parede é a minha favorita.

O resultado é mais uma edição caprichada da editora Escrita Fina, que traz ainda, na área interna da última contracapa, um guia de leitura para auxiliar as crianças, das séries iniciais do ensino fundamental, assim como seus pais e educadores, na reflexão dos temas importantes abordados ao longo da história: meio-ambiente, ética e cidadania.

Adorei o texto e as ilustrações de Família Alegria. Os outros leitores aqui de casa adoraram o livro também!