domingo, 11 de julho de 2010

Histórias de meia sola

Sapatos sapatinhos sapatilhas

Escrevo ainda sob o impacto de ter assistido a HISTÓRIAS DE MEIA SOLA, produção argentina que veio participar do 8° FIL (Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens). Dizem que é assim que se escreve crítica: sob o impacto das sensações e emoções provocadas pela obra - isso eu não sei, o que sei é que voltei para casa encantada e ofegante. Ainda nem tirei meus sapatos e já estou aqui dedilhando estas palavrinhas.

Tentarei ser breve como o espetáculo da Cia Fernán Cardama. Em cena apenas o ator/autor/titeriteiro Fernán Cardama (argentino radicado na Espanha), que representa Aquiles Petruchelli, um sapateiro que herdou de seu pai e de seu avô a capacidade de não apenas consertar, mas compreender os sapatos. Em sua micro oficina o personagem conta histórias manipulando sapatos de todos os tipos: tem sapato dançarino de tango, tem bombeiro, roqueiro, helicóptero, ambulância, tem família... e tem também uma curiosa versão de Chapeuzinho Vermelho contada sob o ponto de vista dos sapatos dos personagens da história. E eu que pensava que já conhecia todas...

Sou uma aficcionada por sapatos e, claro, por teatro de animação - aqui, teatro de objeto, estou feliz e saciada, como raramente: o ator faz poesia com poucos recursos cênicos, mas com absoluta precisão técnica. A experiência como clown certamente alicerça seu modo particular de contar, sem excessos e trejeitos apelativos. Argentino e cidadão do mundo, particular e universal. E os sapatos? Reais, queria-os todos.

Nesse pequeníssimo espetáculo de 45 minutos, onde sapatos ganham alma, ganho eu: ânimo e a certeza de que o menos é tudo de bom.

Congratulo Karen Accioly, que mais uma vez comanda este belíssimo FIL.


quem viu sorriu
quem não viu
tem de ir ao FIL!